Joaquim Chissano critica diálogo político

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, criticou, hoje, o processo do diálogo político em curso em sede da Comissão Mista, considerando-se pouco claro.
Instado a analisar o processo, durante uma palestra que proferiu no Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), o antigo estadista foi incisivo na sua análise.
“O que eu estou a encontrar é falta de clareza. Parece que não sabemos o que é que queremos “disse Chissano, considerando que o processo em curso é uma reedição do que foram as conversações de Roma, que culminaram com o Acordo Geral de Paz (AGP), dois anos depois do início formal das conversações na capital italiana.
“Ainda não encontrei inflexibilidade, porque nem sequer começaram a discutir o que está na agenda… Parece que se está a repetir o cenário de Roma”, disse Chissano explicando que “em Roma, quando começaram o diálogo, deviam ter começado por discutir os princípios  e a delegação da Renamo disse que não, nós queremos começar com assuntos essenciais”, o que fez com que o processo perdesse ‘algum tempo’”.
Chissano considera que no diálogo em curso há também uma espécie de inversão da pirâmide do que deve ser prioridade.
“Uns dizem que o primeiro ponto deve ser a questão das províncias” e a outra parte considera que “isso é irrelevante. Podemos decidir sobre isso mas se ainda há guerra, nem esses poderão governar’, explicou, destacando a necessidade de uma definição de pontos de convergência e o que efectivamente se pretende para o país.
O antigo estadista falou também do que considera terem sido as falhas ocorridas, para que duas décadas depois de uma paz que parecia efectiva, o país tenha voltado a uma confrontação armada.
“O que falhou foi a falta de educação suficiente de uma cultura democrática. Ainda estávamos a começar e precisámos de muita educação neste domínio. Fizemos um ensaio de democracia multipartidária representativa, quando o que nós precisamos é de uma democracia participativa”, explicou.
A palestra de Joaquim Chissano insere-se nas celebrações dos 30 anos do ISRI assinalados este ano.

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